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A HISTÓRIA DO CRUZEIRO DE MANHUMIRIM :

UM MONUMENTO RELIGIOSO CONSTRUÍDO COM RECURSOS DOS COMPRADORES DE CAFÉ E COMERCIANTES CATÓLICOS INAUGURADO NO DIA 13 DE MAIO DE 1952 EM HOMENAGEM AOS SACRAMENTINOS DE NOSSA SENHORA

EXPRESSÃO DE FÉ DO POVO CATÓLICO PARA COMPOR O COJUNTO ARQUITETÔNICO DAS OBRAS DO PADRE JÚLIO MARIA NO ENTORNO DA IGREJA MATRIZ

 

Nos anos quarenta e cinquenta a comunidade católica de Manhumirim se mobilizou para espalhar pela cidade vários cruzeiros de madeira. Os bairros Isidoro (ao lado da casa do Sr. Deusdete José Leonardo), na entrada do bairro Santa Rita, no Bairro de Lourdes, na entrada do Bairro do Roque eram alguns dos locais onde foram erguidos os cruzeiros de madeira.

O DIA DA SANTA CRUZ, comemorado em 14 de setembro foi escolhido pela igreja católica para a celebração, pois foi neste dia em 335, que se colocou a Santa Cruz em exposição na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém.

A festa comemora a cruz como meio e símbolo de salvação, santidade e vitória sobre o pecado e a morte. Em Manhumirim os fiéis CATÓLICOS tinham a tradição de enfeitar os cruzeiros dos bairros com flores naturais e artificiais no DIA DA SANTA CRUZ.

Foi então em uma dessas cerimônias que um grupo de compradores de café e comerciantes CATÓLICOS teve a ideia de construir um cruzeiro de concreto armado (como é toda a estrutura da Igreja Matriz, hoje Santuário do Senhor Bom Jesus de Manhumirim) em homenagem aos Sacramentinos de Nossa Senhora e para compor o conjunto arquitetônico das obras do Padre Júlio Maria (Igreja, Seminário, Coreto (que foi demolido e construído um palco no local), transformando assim o local chamado Alto Bom Jesus em um espaço para o turismo religioso católico.

Assim foi feito... A equipe começou o trabalho para recolher as ofertas para a compra do cimento, ferragens e tábuas para a construção das formas.

Uma próspera serraria da cidade doou toda a madeira e os demais materiais foram custeados por compradores de café, profissionais liberais, fiéis, fazendeiros e comerciantes católicos que sonhavam em ver o gigantesco cruzeiro erguido em homenagem aos Sacramentinos.

As dificuldades foram muitas, pois os voluntários que trabalharam na montagem das formas de madeira e aindaimes de eucalipto, tinham que levar suas ferramentas (ainda rudimentares na época) e caminhar por uma rústica estradinha que dava acesso ao local.

Conta um dos entrevistados que o Sr. Arlindo Augusto de Carvalho, conhecido como "Seu Arlindo Carroceiro", era quem levava os materiais até o local (por ser jovem e disposto a ajudar), principalmente em dias após as chuvas, devido à dificuldade do acesso até o local da obra.

Na ocasião o prefeito era o Sr. Cláudio Miranda de Carvalho que também colaborou como voluntário, mas, a equipe da construção não quis a participação direta da prefeitura por se tratar de uma promessa para feita por alguns comerciantes que sofreram grandes prejuízos com a tragédia das constante enchentes de final de ano, que haviam deixado grandes prejuízos na cidade. Prometeram construir um enorme cruzeiro como forma de "proteção" para a cidade e ao mesmo tempo uma homenagem aos Sacramentinos que tanto colaboraram com o povo nas épocas da tragédias.

O trabalho da confecção da obra é atribuído ao Sr. José do Valle, exímio construtor, que inclusive oito anos depois, construiu também o cruzeiro no Pico da Bandeira no ano de 1960.

Cogitou-se na época a ideia de que fosse afixada uma imagem de Jesus Crucificado na cruz, mas não foi encontrada nenhuma imagem pronta no tamanho do cruzeiro ( dez metros de altlura por sete de largura) mas a ideia foi descartada por ter profissional no Brasil que fizesse tal tipo de trabalho de arte. Então, as aberturas centrais, onde seria encaixada a imagem, serviram tempos depois, como luminárias internas do cruzeiro.

A sua inauguração aconteceu em uma manhã de muito sol, no dia 13 de maio de 1952, numa terça feira de feriado municipal, quando foi celebrada uma missa pelo Pároco Padre Tiago Eussen que benzeu as placas, uma delas constava os nomes dos colaborares (que infelizmente foi retirada do local) restando hoje apenas a que possui a inscrição do ano da construção: COMÉRCIO LOCAL E POVO DE MANHUMIRIM EM INTENÇÃO AO BOM JESUS DE MANHUMIRIM - MAIO DE 1952.

No ano seguinte, devido à grande euforia do povo católico e repercussão da obra, o prefeito Dr. Cláudio Miranda de Carvalho sancionou a Lei nº 135 de 24 de março de 1953 decretando FERIADO MUNICIPAL o dia 13 de maio, em que festeja a sua padroeira. A data foi denominada "O DIA DO SACRAMENTINO".

No ano de 1988 o prefeito Antônio Franco Cesário e seu assessor José Jarbas de Oliveira Franco encomendaram ao engenheiro civil José Martins de Oliveira Franco e aos arquitetos Maria Célia Lamounier e Mario Penna Neves que fizessem o projeto de um MIRANTE para o local. Assim foi feito e toda a fundação com sapatas e colunas foram construídas, mas a obra não foi concluída, pois não havia reeleição e o candidato Roberto Pereira Rodrigues (Robertinho da Arte Móveis), apresentado pelo prefeito Nico Franco, perdeu as eleições para o Sr. Jorge Caetano dos Santos, que não se interessou em dar sequência à obra.

Somente no ano de 2008 o prefeito Ronaldo Lopes Correa construiu as lajes em volta do cruzeiro rodeada por balaústres e alguns bancos, licitada no valor de R$ 246.658,08 e deu o nome ao local de: Mirante “Genésio Bernardino de Souza”.

Diversas autoridades participaram do evento: o Prefeito de Manhumirim, Ronaldo Lopes Correa; o vice-prefeito, Sebastião Tristão; o Presidente da Câmara, Júlio Albuquerque; o Deputado Federal, Mário Heringer; o secretário municipal de Turismo, Paulo Roberto Corrêa; o Assessor do Deputado Estadual Tiago Ulisses, Milton Barros; vereadores e secretários da Administração Municipal, representantes religiosos; o Comandante da 29ª Companhia da Polícia Militar de Manhumirim, Capitão Gualberto; o Procurador de Justiça do Estado de Minas Gerais, Dr. Joaquim Cabral, familiares e amigos do homenageado, Dr. Genésio Bernardino; além de alguns secretários e contratados pela prefeitura.

A obra é um monumento CATÓLICO construído para valorizar e embelezar ainda mais o rico patrimônio arquitetônico deixado pelo Servo de Deus Padre Júlio Maria e pelos Sacramentinos de Nossa Senhora, uma riqueza de grande valor para o turismo religioso em Manhumirim.

 

(Pesquisa histórica feita no ano de 1978 e atualizada em setembro de 2016)

FONTE DE PESQUISA: Livros História de Manhumirim - Município e Paróquia, Padre Demerval Alves Botelho, Elias Jorge (Lili), Rui Vieira Brant, Frei Vicente Nunes, Arquivo JR PRODUÇÕES, Mirene Amorim Póvoa, Dr. Renato Albuquerque, Renê Rabelo, Odilon Barreto, Marísia Bicalho Brum Barreto, Willian de Assis Guimarães,Padre Antônio Felipe da Cunha e Irmã Eulina.

João Rosendo e o historiador e Padre Demerval Alves Botelho

Sr. Elias Jorge (Lili da loja), o terceiro a direita da foto

Dr. Cláudio Miranda de Carvalho - ex prefeito de Manhumirim que sancionou a Lei nº 135 de 24 de março de 1953, decretando FERIADO MUNICIPAL o dia 13 de maio, em que ela festeja a sua padroeira. A data foi denominada "O DIA DO SACRAMENTINO"

Imagem de Jesus Crucificado, símbolo do Jubileu do Bom Jesus de Manhumirim. A ideia inicial era colocar uma imagem semelhante no cruzeiro de Manhumirim, mas, não havia quem fizesse tal trabalho na época

O local ficou abandonado por vários anos...

 

Cruzeiro de Manhumirim (1952) depois de retirados os andaimes e pintado de branco

Cruzeiro pronto construído com recursos dos compradores de café, profissionais liberais, fiéis e comerciantes católicos inaugurado no dia 13 de maio de 1952 em homenagem ao DIA DOS SACRAMENTINOS

João Rosendo (1978) quando foi feita a pesquisa sobre a HISTÓRIA DO CRUZEIRO DE MANHUMIRIM para uma gincana cultural do Colégio Santa Teresinha

Padre Tiago Eussen celebrou a primeira missa no cruzeiro, no dia dia 13 de maio de 1952, quando a obra católica foi inaugurada

Placa que comprova a data e a intenção católica da construção do cruzeiro de Manhumirim: COMÉRCIO LOCAL E POVO DE MANHUMIRIM EM INTENÇÃO AO BOM JESUS EM MAIO DE 1952

Arlindo Augusto de Carvalho, "seu Arlindo carroceiro"

Armazém de café destruído pelas enchentes

Rua Melo Viana (hoje Caetano Flora) também atingida pelas cheias de fim de ano que eram constantes em Manhumirim

Comerciantes, trabalhadores e populares secando café na praça da estação (hoje Praça Padre Júlio Maria) que foram molhados pela enchente

José do Vale (de lenço na cabeça) em 1960 quando trabalhava na construção do cruzeiro do Pico da Bandeira

Cruzeiro de Manhumirim, hoje Mirante Genésio Bernardido de Souza, um monumento religioso católico, que compõe o conjunto arquitetônico das obras do Servo de Deus Padre Júlio Maria de Lombaerde no entorno do Santuário do Senhor Bom Jesus de Manhumirim

 

 

 

 

 

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