Notícias
 

 

 
 
             
I
Noticias
 

HISTÓRIA DO CINEMA EM MANHUMIRIM

HISTÓRIA DO CINEMA EM MANHUMIRIM -MG
A sétima arte de vanguarda em uma época brilhante de cultura em evolução

Manhumirim sempre foi conhecida como a “Terra da Cultura”. E não é de agora. Essa fama vem dos primórdios da história, mesmo antes de ser oficialmente considerada por lei como município.

Mesmo ainda com suas ruas sem calçamento o vilarejo já ostentava seus clubes sociais, café culturais, times de basquete, futebol, jornais, revistas e ainda se dava ao luxo de ter em sua programação de finais de semana a projeção de filmes em suas requintadas salas de cinema.

Cine Theatro São Pedro fundado em 1915 e construído prédio próprio em 1924

Fundado em 1915 era uma sala de cinema que exibia filmes mudos, pois, inicialmente, a música era tocada ao vivo, por um pianista ou uma orquestra, e eles tocavam principalmente música clássica.

O CINE THEATRO SÃO PEDRO também apresentava temporadas de peças teatrais com atores locais e artistas da capital federal da época (Rio de Janeiro) trazendo nomes de peso da arte do teatro nacional.

Funcionou durante vários anos, mas, por problemas familiares foi fechado em 1934. Com o fechamento desse cine, a população constantemente, e a municipalidade, por sua vez faziam frequentes apelos para que o cine, então a única casa de diversão da cidade, reiniciasse suas programações.

 

Em 1935 o empresário Nacip Lima, de Carangola, traz para Manhumirim o sistema de projeção de filme VITAPHONE, o mais moderno do mundo

PROJETOR VITAPHONE


Em 1935, o empresário Nacip Lima, de Carangola, arrendara o Cine Theatro São Pedro e instalava o processo VITAPHONE. Esse processo consistia em projetar filmes com a execução de discos sincronizados com o filme e reproduzia as músicas e os diálogos.

Sistema moderno para a época, pois em vez do pianista o áudio do filme vinha gravado em um disco e tocava junto com a projeção. Mas, se a película arrebentasse, o que era muito comum, descontrolava tudo e a plateia fazia a maior algazarra, pois era impossível achar o local onde o disco tinha parado para rodar coincidentemente com o filme.

Mas, era o que tinha de melhor na época e o público aceitava tudo com naturalidade e até quando dava errado servia de comentário para o resto da semana.

Nacip, logo de início contratou o jovem Geraldo Pereira para ajudá-lo. Esse trabalhou por longos vinte e quatro anos e tornou-se um dos maiores entendidos de cinema em Manhumirim e toda região.

O novo empresário, depois de algum tempo, desistiu de continuar com a casa de diversão. O cine cerrou suas portas e encerrou suas atividades. O povo voltou a reclamar.

Projetor MOVIETONE


Em meados de 1936, ouvindo os pedidos e apelos incessantes dos manhumirienses, o Coronel Maximiano Nunes da Rosa decidiu-se a comprar o CINE THEATRO SÃO PEDRO e fazer no prédio uma remodelação geral, inclusive adquirindo um projetor novo e moderno marca MOVIETONE (igual aos que eram usados nas grandes capitais), para a projeção de filmes sonorizados.

Assim, para a surpresa e contentamento de todos, inaugurava o “cinema falado” em Manhumirim, coisa que não tinha em outras cidades da região, atraindo espectadores dos municípios vizinhos que vinham para assistir seus filmes preferidos no moderno cinema.

CINE TRIANON

Em 1937 o Coronel Maximiano compra a casa, onde funcionava uma máquina de beneficiar café, esquina da então rua Trajano Lima, e constrói ali o TRIÂNGULO HOTEL e ali instalou o CINE TRIANON, inaugurado em 15 de fevereiro do mesmo ano.

Era o mesmo CINE THEATRO SÃO PEDRO que mudara de nome e local, pois ali estava mais perto da estação do trem e aos poucos o centro da cidade estava mudando de local (antes era nas proximidades da Igreja Matriz e Praça Getúlio Vargas) devido ao movimento nos armazéns de café e estação da estrada ferroviária Leopoldina.

O CINE SÃO CAETANO

Em 1949 o Sr. Caetano Flora compra o CINE TRIANON e constrói um prédio próprio para a sala de cinema, com dois andares, mais cadeiras e estrutura moderna com a maior tela de toda a região, comparada ao tradicional cine ROXI do Rio de Janeiro.

Em 1950 inaugura o CINE SÃO CAETANO. Geraldo Pereira acompanhou as máquinas, que ele já sabia manusear, e vai trabalhar para o Sr. Caetano prestando seus serviços técnicos até o final dos anos 50. Sr. Geraldo deixa a profissão de projecionista e compra o Minas Hotel, depois de ensinar seu ofício para o Sr. Severino Rocha, conhecido como “Biscoito” que era carteiro e à noite trabalhava no cinema como técnico de projeção trabalhando por vários anos.

Ficou tradicional na cidade e região quando uma cena era muito “pesada” os espectadores gritavam :” Corta Biscoito”, ou quando uma cena agradava ao público e era curta o público gritava: “Não corta, não, Biscoito”.

Pedro Fontoura : “O Cine São Caetano orgulhosamente apresenta...”

Na década de 70 o CINE SÃO CAETANO foi arrendado ao Sr. Pedro Fontoura que ainda levou adiante o empreendimento por alguns anos.  

Os mais antigos ainda se lembram das propagandas em carro de som do Sr. Pedro Fontoura que tinha como slogan principal: “O Cine São Caetano orgulhosamente apresenta...” Quando o fusquinha amarelo passava anunciando o novo filme, todos paravam para ouvir.

Mas, depois o imóvel foi pedido pelo filho Waldir Flora, administrador do Sr. Caetano Flora, (que estava doente e não mais administrava seus bens) e continuou com o cinema por alguns anos.

Caetano Flora

Com a morte do Sr. Caetano Flora em 31 de março de 1981, seu filho Waldir Flora assumiu a direção do cinema novamente, mas por pouco tempo, desanimando depois que caiu uma barreira sobre o prédio nas fortes chuvas de 1997 destruindo metade do imóvel e a tela do cinema também.

Waldir tentou algum tempo levar adiante a sala de projeção, mas não com o projetor profissional que não teve as manutenções necessárias e já estava obsoleto no mercado.

Ele passou a usar um projetor de fita de vídeo cassete no sistema VHS, mas não caiu no gosto do povo, pois a tela era pequena e a imagem de péssima qualidade e a programação pior ainda sendo projetados apenas filmes de Karatê e pornochanchadas.

Então, devido à falta de público e com a grande moda do momento que era o vídeo cassete e as locadoras de fitas VHS, o Sr. Waldir desativou o cinema transformando o local em salas comerciais para aluguel.


FONTE DE PESQUISA

- História de Manhumirim – Município e Paróquia – Segundo Volume,
 Autor Padre Demerval Alves Botelho - Sdn, Waldir Flora, Severino Ferreira da Rocha (Biscoito), Pedro Fontoura e João Rosendo
- Arquivos de fotos e textos JORNAL BOCA DO POVO, JORNAL PALANQUE, JORNAL O LUTADOR, JR PRODUÇÕES (João Rosendo)

Pesquisa feita no ano de 1980

O cantor Elymar Santos, a atriz Monique Lafond e João Rosendo

Premiére de Gala do filme REENCARNAÇÃO DIABÓLICA

Helena Cotrim em uma cena do filme O EMBRIÃO SATÂNICO de João Rosendo

DEPOIMENTO DE FERNANDO ROCHA, FILHO DO SR. SEVERINO F. DA ROCHA (BISCOITO)

Fernando Rocha, filho do "Biscoito" com a enroladeira de filmes usada pelo pai no Cine São Caetano

Aproveitando a matéria do João sobre o Cine São Caetano essa uma enroladeira de filmes que meu pai guardou com maior carinho devido a barreira que caiu atrás da sala de projeção.

Poucas coisas sobraram.

Quando o filme terminava ele era todo revisado nessa máquina.Me lembro como se fosse hoje vendo meu pai fazendo aquilo que ele mais gostava.

Depois do filme todo revisado ele colocava nas latas e no dia seguinte, eles eram despachados de trem para outra cidades onde seriam exibidos novamente.

Isso é uma simples recordação do Cine São Caetano, só lembranças boas do grande Biscoito carteiro meu eterno pai.

Valeu João Rosendo por essa linda matéria.

 

Fernando Ferreira da Rocha - Julho de 2017

 

 

 

 

CINEASTA JOÃO ROSENDO DE MANHUMIRIM
PRODUZ QUATRO FILMES

Cineasta João Rosendo e seu projetor Super-8

FILME "O EMBRIÃO SATÂNICO"


Mas, mesmo sem a sala de cinema em Manhumirim, e com a chegada dos projetores digitais, a sétima arte continuou a ser difundida em colégios e clubes.

Marcinho Tannus, Marilene Leite, Sílvia Lane e Maria das Graças Brandão no intervalo da filmagem de O EMBRIÃO SATÂNICO

Tanta força teve que o jovem João Rosendo Alvim Soares, aluno do Colégio Santa Teresinha, que cresceu acostumado com os filmes projetados nos grandes cinemas da cidade, produziu em 1979 o filme de terror O EMBRIÃO SATÂNICO que circulou por todas as cidades da região e grande parte do estado de Minas Gerais.

Ele comprou um projetor de película Super-8 SANKIO 502 e levava seu filme nas escolas e cidades da região.

FILME "UM MENINO... UMA MULHER"

Em 1980 João Rosendo foi convidado pelo diretor de cinema paulista Roberto Mauro Benmyara Vidal para ser o codiretor e auxiliar no roteiro do filme UM MENINO... UMA MULHER, estrelado pela atriz Monique Lafond, Ruben de Falco, Celso Farias, Elymar Santos, Mário Petraglia, Fernando José, Ana Lúcia Torre, dentro outros atores da Rede Globo de Televisão.

FILME "REENCARNAÇÃO DIABÓLICA"

Devido ao grande sucesso, o cineasta João Rosendo em 1985 produziu outro filme, com o mesmo tema terror, intitulado REENCARNAÇÃO DIABÓLICA utilizando atores locais e autoridades do município.

FILME "TERROR NO COLÉGIO"

 

Em 1995 Rosendo filmou o primeiro filme de zumbis produzido no Brasil.

TERROR NO COLÉGIO, consagrado pela crítica especializada como vanguarda nos efeitos especiais, maquiagem e cenografia, todos assinados pelo diretor manhumiriense, considerado até hoje como ícone do cinema terror brasileiro e vanguarda mundial, principalmente considerando a falta de recursos técnicos e financeiros que a fita foi produzida.


Manhumirim é sem dúvida alguma a terra da cultura, das artes e se sobressai com o cinema, que infelizmente há anos não mais ocupa a agenda cultural do município.

Sem uma sala de projeção na cidade, o povo se vê obrigado a organizar caravanas e se deslocar para cidades vizinhas no intuito de assistirem a um bom filme, provando mais uma vez, que as raízes da sétima arte ainda estão cravadas na alma de cada manhumiriense.

Severino da Rocha (Biscoito)

João Rosendo e o cinegrafista Wively Cobbet no Rio de Janeiro

Pedro Fontoura e seu fusquinha de propaganda

Pedro Fontoura e a "Rural de som"

VEJA ABAIXO A NOTÍCIA PUBLICADA NO JORNAL "O LUTADOR" DE JULHO DE 1952

O LUTADOR  ANO XXIV – NÚMERO  26  - DE 10 DE JULHO DE 1952 -
UM GRANDE EDIFÍCIO QUE SE LEVANTA...

Está sendo, agora, o Sr. Caetano Fiora o construtor-mor da cidade. Debaixo | do seu vigoroso pulso ergue-se, na rua Melo Viana, um edifício de grandes proporções, destinado a teatro e cinema, na parte térrea, e a outras finalidades no andar superior.

Vale ressaltar-se o vulto do empreendimento que vem preencher uma lacuna nesta cidade, pois no que tange ao assunto, não se satisfazem bem as necessidades do numeroso público que acorre ao Cine local .

O Sr. Caetano Flora conseguiu terrenos por compra definitiva da Fábrica da Igreja, pois êle é dos que reconhecem os direitos eclesiásticos. E na parte denominada Patrimônio estará pronto em breve um prédio moderno, destinado ao público.

Significa que nesta parte da cidade nem tudo está tão parado e morto, como por aí assevera certa gente, por despique contra a Igreja. Nossos calorosos parabéns ao Sr. Caetano Flora. Merece ser imitado o seu gesto; construindo um edifício que se apresentará pelas suas linhas arquitetônicas de bom gosto, é de esperar seja o seu exem pio seguido e suplantado por tantos que muito falam e pouco fazem ... em prol do progresso e embelezamento de Manhumirim comprometido para o bem do povo e progresso da cidade.

Quetn, entre"eles" é capaz de nos mostrar"?... Beneficiar o povo é que é preciso, en vêz de se entregarem à confecção de leis sem pé nem cabeça, nos protótipos de estupidez.

O povo, esse é o grande maltratado, porque o reina a inutilidade e flalácias nas quilométricas peças oratórias de vereadores faltos de gramática que lhe mendigaram o voto; o povo, esse quem o beneficia de tato é a Igreja.

Ela pode mostrar obras...Isso é o que vale. Palavras só não bastam ... o vento as leva.

Desmintam isso, si são capazes ! Neguem as realizações da Igreja em Manhumirim, si têm corlagem para isso ! Há males que vêm para bem. Deus escreve direito par linhas tortas — já nos dizem os provérbios.

Prefiro terminar esta série de considerações preliminares, antes de para aqui trazermos os documentos da Igreja, com aquela significativas palavras de S. Excia. D. João Cavati, nosso digníssimo e querido Bispo Diocesano, quando agradecia à recepção que lhe fizeram os eatólicos, na sua visita pastoral a Manliumirim. Tenhamos paciência !

Nas próximas eleições veremos com quem está o povo !» Sem olhar para partidos, os católicos, era qualquer facção a que se filiem, deverão lembrar-se do passado, ver os que não souberam ser fieis ao mandato, apontar os que procuraram apoderar-se indevidamente dos bens da Igreja e afastá-los decididamente da pretensão de no futuro trair à incumbência que os nossos eleitores lhes confiaram.

Si assim procederem, estarão fazendo um bem ao Municipio e trabalhando efetivamente pela paz do nosso povo. Sim, mais hoje, mais amanhã, a verdade será proclamada, a luz brilhará de novo.

O triunfo da Igreja, sua retumbante vitória, é ura fato inconteste. Esperemos !... Nada melhor do que um dia depois do outro. Rirá melhor quem rir por último . Hipócrita e perseguição a Igreja...(Continuação)


ANO XXIV - SEMANÁRIO* CATÓLICO Registrado sob o número 13684 * Fundador — Pe. Júlio Maria Diretor — Pe. Luís A. Pais Barreto Gerente — Pe. Antônio Júlio Felizola Manhumirim (Minas), 10 de Julho de 1952

O FIM DO CINE S. CAETANO

Depoimento do Sr. Pedro Fontoura no ano de 2017

Era um dia de domingo comum como um outro qualquer, 28 de março de 1979. O Cine São Caetano estava arrendado para a empresa ATERAC Com. e Ind. Turismo e Diversões LTDA. de Cariacica do Estado do Espírito Santo.

Aos domingos fazíamos 03 seções 01 às 16,30 hs 02 às 18,30hs. e a última às 20,30 hs, as duas primeira seções aconteceram normalmente e tivemos uma presença de mais de 500 espectadores numa sala que comportava 535 pessoas assentadas 20 horas e 30 minutos começamos a terceira e última seção com um público bem reduzido pois era última e já estava começando a chover, encerramos os trabalhos às 22,30 hs com uma chuva muito forte que durou até de manhã.

Eu me preparava para trabalhar no Colégio Est. de Manhumirim quando recebi a notícia de que uma pedra muito grande tinha rolado e derrubando a parede do prédio e por volta de 10,30 e 11,00 hs. a rua estava toda inundada com quase 02 metros de água no interior do prédio.

Após a queda da barreira a empresa ATERAC encerrou o contrato com o senhor CAETANO FLORA e os funcionários foram dispensados inclusíve, eu que era o gerente. Tempos depois o Valdir Flora reformou o prédio diminuindo o tamanho e arrendei mas por pouco tempo, e aí o Valdir tentou montou um sistema com telão e vídeo, mas sem sucesso.

Assim foi o triste fim do cine SÃO CAETANO hoje quero aproveitar pra agradecer aos amigos que estiveram comigo e que assistiram deste triste fim.

Entre todos o mais querido de todos o GRANDE SEVERINO o nosso querido BISCOITO, o amigo e fiscal da prefeitura Antonio Franco de Andrade os comissários de menor Sr. ALVARINO e o Sr. GEORGE BRACKS , os operadores que aprenderam com o Severino, o Aércio e o Eduardo filho do Severino, a Carolina Flora, Terezinha Buzim, Vilma, Vani e Norma Fontoura em especial o Sr. VALDIR FLORA.

De todos é poucas pessoas que se lembram, mas não podemos esquecer é do último gerente do cinema na época da empresa Fluminense o Sr MÁRIO FAICO.

Meus agradecimentos ainda, aos proprietários da ATERAC, Sr. José Caretta e Rubens Caretta.

Pedro Fontoura - julho de 2017

Pedro Fontoura e João Rosendo na Premiére do filme REENCARNAÇÃO DIABÓLICA

 

 

 

 

 

Jornal Boca do Povo - DIREÇÃO JOÃO ROSENDO - Copyright 2010 - Todos os direitos reservados